sexta-feira, 11 de junho de 2010

O Pó Não me Assenta…

Desesperada como se uma carga estivesse suspensa em cima do meu corpo e a qualquer hora pudesse cair, peso que não é meu, angústia sufocante, rasgante dos males que já não partilho, das bocas que já não vejo mexer por mim, tiro a roupa, liberto o corpo, vendo a alma se preciso for, para parar de sentir este desassossego aspirante a espiritual, mais ansioso que eu.

Lavo os dentes com a língua seca das palavras más, que furam o coração, queimo os blocos frios de palavras quentes e letras ásperas, difusas, ocas, amaciadas por um ar mínimo, que não me deixa respirar pelas transparências que me separam do movimento, da energia que tento controlar a todo o custo na ânsia de sair, na ânsia de viver.

Quero tudo, quero mais, quero pegar no Mundo, bebê-lo de uma vez só, vivê-lo por todos, voar no embaraço das quedas que darei e na vitória de colocar as mãos no chão para me levantar constantemente na aprendizagem louca, embalada pela necessidade de saber sobre tudo, no medo de estar aqui a perder, no receio de não ouvir, na tristeza de não sentir, no ter que viver, no ter que ser livre.

Quero sobre as minhas mãos a areia que se deixa cair, a água que se deixa lavar, a seda que me acalma a pele e presenteia os sentidos, sou gigante, sou maior que as serras, montanhas ou vales, estou deitada sobre o universo, desejoso de mim e eu dele, transpiro por ser, transpiro por querer, transpiro por conseguir, transpiro por existir, transpiro por balançar, transpiro por atingir.

Preciso de tudo, preciso das ruas, das casas, das pessoas, do conhecimento, das verdades, até das mentiras, preciso de olhar, preciso de me conduzir até onde eu quiser, preciso de me vender e comprar, preciso de experienciar, preciso de tudo a meus pés, preciso de tudo em mim, tenho tudo isso e muito mais, e vivo aqui, esquecida do que tenho, do que posso sentir.

Desespero, corto a pele, firo a carne, finco as unhas na vida e ela em mim, mas não desisto, mas não me perco, mas não me venço pelos buracos que encontrar, porque deito a âncora, solto as amarras, espeto as estacas na terra firme e vou em frente, rebolo, agito-me, baralho-me, rectifico-me, contorno-me, deleito-me, lavo-me, emirjo, aqueço-me, seco-me, deixo os cabelos ao lado.

Sou Mulher, das poucas em que o pó não consegue assentar!

Conquistas… Desejos… Vontades…

Numa volta redonda de um olhar sem ver, numa mão aberta de medos e feridas, onde o sonho já não existe, a ilusão tão pouco, o encaminhamento faz-se bem ao lado, bem indiferente da existência de quem um dia foi importante, muito acima do valor que alguém nunca conquistou, muito longe de quem é insignificante, muito esquecido do que se foi um dia, muito perdido das razões merecidas, ancoradas num peito doce.

Desperto para outros sentidos, fazem-me olhar para outros lados, a atenção reclama muito alto a minha pessoa, as qualidades como um beber de inteligência falam comigo num desespero de me atirarem para outros horizontes, para outros milhões de braços presentes, para outras dimensões cheias de realização, realização, caminhos feitos a alto vapor do poder de querer, do poder de crescer…

Não estou, já não estou no mesmo patamar, já não existe processo, já não existe nada para esquecer nem perdoar, já nada merece o meu entendimento, o meu debruçar de cuidados para ajudar a outra parte, já não existe intenção ou sentimento verde, já não me completo com tão pouco, com o vulgar e inerte de uma situação que o tempo já fechou mas alguém ainda julga aberta.

Noção, invalidez, descrédito, insegurança que não suporto, não acarreto e não me deixo levar, palidez de meios, crença falsa debruada a mentiras e covardia, paragens, insultos, saloios de mente, que se fazem acompanhar por entre as horas, como apenas a companhia de um ser existisse, mentes tortas, tacanhos de espírito, gente medrosa e apagada, gente do chão, como fruta podre.

Os meus passos são longe de tudo isso, nas emoções limpas, os resíduos já foram retirados e bem fechados, numa embalagem de titânio, com rolha de emancipação, desejo de evolução, perfeito trilho das memórias, exemplo exemplar de construir, de petrificar vontades, de empedrar conquistas, de massificar gerações, de intervir na perfeita perfeição da minha loucura de ser Melhor.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Árvore de Nós nos Pés da Raiz do Ser!

Gosto de pés e adoro árvores, vi este título, escrito na frente de alguém, achei que podia escrever milhões de frases comparativas com estes dois elementos, e achei bem, porque as árvores são como as pessoas mas com a diferença que quando derrubadas dificilmente se erguem de novo enquanto as pessoas quase sempre se levantam, mais fortes, mais conscientes e mais texturadas.

É no embalar das suas copas, na densidade das suas folhas, no refúgio que dão a tantos que se estendem de abraços e carícias soltas, de bondade caracterizada, de delicadeza de seda lisa, de emancipação permanente, de crescimentos constantes, com o único objectivo de chegar aos céus, tocar nas nuvens, fazer cócegas ao sol.

Em ventos fortes, perturbadas pela agressividade, pelo desassossego do momento, a inércia não faz parte e a força é constante para que o regresso ao sossego seja rápido, têm que ser rápido para que nada fique abalado, nada fique frágil, embora as terras se deitem aos pés da tolerância calculada pela Natureza.

Fundo, bem fundo perfuram a Terra com delicadeza, como uma dança de sedução e criação, cada vez mais fundo ficam garantidas as presas que alimentam os ramos, ficam deliciadas as folhas verdes e leves que se regam ao sol e à chuva, e bebem do castanho, escuro, denso, nutritivo o desejo de trazer mais a si mesma.

Mas as árvores deitam sementes, leva-as o vento, proliferam por entre as ervas quentes e tenras, e novas árvores germinam, braços abertos, folhas, bebés que alegres bebem os líquidos preciosos que o Mundo lhes dá, generoso antes que algo de agitado aconteça, antes que ainda frágeis encontrem a força que os pode destruir.

Ambiente sereno, pés no chão macio e natural, ansiedade de paz, harmonia dos nervos, pele quente, ardente em membrana transparente de elos de aço, guias caídas, soltas e livres, abafo dos teus braços, chega te a mim, devagar, delicado, cuidado, sou de diamante refinado, sou de milhões de pontos de luz feita, sou o teu chão.

E só no cimo da árvore gigante que existe em ti consegues ver os meus pés marcados na tua terra sólida do deserto que és, quando por perto não estou.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Cada vez mais vivo!

É na profundidade dos olhos que me conhecem tão bem que me afundo nas talas pretas e macias que me seguram fortemente a vontade de te acariciar, de te dizer que não faz mal, o que já foi, já passou mas só porque o orgulho fala mais alto do outro lado mas as lágrimas inundam te o rosto, só por isso deixo-te perseguir a verdade da tua mente até ao momento em que esgotado regressarás ao meu colo.

Coberta, pela sinceridade do teu olhar que em momento algum se desprendeu do meu, como se a tua loucura tivesse remédio em mim, ouvi as minhas palavras por entre as tuas que sucumbiram à pouca verdade que os dentes deixaram passar, desperto para a exclusividade que não tens, quando sabes que a cada minuto estás a ser vencido por outros, outros mais constantes, outros mais conscientes do meu brilho único.

Mas só por me sentir rasgada, na pele e na alma, e só porque me isolei do mal tão depressa quanto pude, e só porque me deitei todas as vezes que foram precisas para ser ouvida e esvaziar as dores das feridas queimadas e não identificadas, e só porque pensei em mim muito antes de ter pensado em nós e só porque a minha dor era igual à tua e embora a tua seja maior hoje, a minha já foi enorme ontem.

Preciosismo que te cai da alma que não se consegue fechar para mim, que te conheço tão bem, e é entre os intervalos do teu rosto, misturado com a ansiedade de me beijares, de me segurares pela cintura e dizeres que me Amas, ao ponto de não existir palavras competentes para descrever o que vive em ti todos os dias em que me respiras desesperadamente, em que a tua memória é vencida pela saudade.

Percebo que não te sintas digno, brilhante, absoluto, porque realmente não o és, mas percebo a vontade que a porta se abra de novo para tu entrares no meu Mundo, entendo o receio nas tuas palavras quando mentes sobre o que sentes, fingindo que estás no caminho oposto, quando que todas as voltas que dás, vêm parar a mim, a nós, porque embora penses que consegues, vais perceber em breve que nunca se consegue apagar um Amor Enorme, Cúmplice, Verdadeiro, Único.

E por sentir o que emanas todos os segundos para mim que me deixo viver tranquila sem desespero, sem dor, sem ansiedade, sem medo, sem dúvidas, sem julgamentos, sem hesitações, porque tudo o que tu fazes é por mim, porque tu o que dizes é por nós e tudo o que tentas enganar é apenas aos outros, porque sabes tão bem quem somos, somos o que te irá fazer sempre feliz, melhor, completo, realizado, inteiro em todos os sentidos!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

SeriaS Meu… Não quero!

Requinte de um silêncio profundo inalado do que prevejo acontecer, surdo, absoluto, escudo da luz da vela que nos perpétua, palavras disparadas pela sensualidade que nos saí pelos poros limpos, pela verdade que só os nossos olhares fundos ditam, segredam baixinho ao ouvido das letras quietas e sóbrias em que te agarras para ficares cada vez mais perto de mim.


Bluff do desejo que transpira, respeito por mim, por todos, espicaço o que de mais inteligente tenho para te fazer andar, para te fazer evoluir, e tu dás-te a mim de bandeja, de forma fácil, de forma desprendida pelo que carregas, sobes ao capitel dos teus sonhos atiras-te a meus braços como se fosses livre, como se não fosses um perdido pela ilusão que te dou todos os dias.


Polarizo-te com as minhas verdades, com a minha frontalidade, com a minha lealdade a mim mesma, e embora saibas que não me vendo, que não beberás nada de mim, continuas desesperado apenas por uma gota do meu sangue, da minha pele, da minha vida que te ofusca e regra, que te mostra as mãos apertas, e te fecha o caminho.

Renego te, mas ramifico te na minha teia de ideias fixas que não te faz mudar um centímetro para eu ver mas faz toda a diferença para quem te irá ver no Futuro, oleio tudo muito bem oleado, preparo te para algo mais selectivo, para algo mais honesto, onde apenas te lembras de te enaltecer a ti para em consequência, enaltecer os outros.

Cairel que deseja enlaçar-se por entre as minhas pernas, cercadura na minha cintura, matizar de medos, trecho da música que te dou, canelada forte que te deixa marcas sucessivas no ego, nó no pensamento esquizofrénico que me deixa vencer te milhões de vezes, a loucura da frontalidade do rodeio interno de uma verdade imensa e exagerada.

Infantilidade, imaturidade, inconsequente desejo que fala ainda mais alto do que o próprio corpo, esgota te, faz te sangrar por dentro e por fora e eu beberei todo aquele que perderes, porque me alimenta, porque me faz crescer, porque me torna mais forte, porque me coloca no cume de Ti.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O Último Minuto do Meu Dia…

Maquilhada pelas lágrimas que madrugada a dentro, cedo me escorregaram e lamberam as mãos, senti que não seria um dia feliz, dormida, pesada e nada descansada, abri os olhos numa manhã de sol terno e afável, recolhida por um abraço materno que conhece a minha dor talvez melhor que eu mesma, achei que não podia continuar a rotina de forma nenhuma.

Conduzida pelo caminho aos destinos, a primeira espera foi longa mas cuidadosa, fiz o caminho mais longo, porque o tempo sobrava e era me cúmplice, passos fortes e despachados deixaram me o odor no corpo do que me tinha esquecido de fazer e embora chegada ao pretendido, o objectivo ficou pendente nesta etapa e aguarda a minha volta em breve.

Deitada no verde-escuro da minha alma, sinto as energias fluírem pelo meu corpo como intervalos de cura e desapego anunciando o sossego, a harmonia, a calma e a paz que tanto tenho lutado para conseguir.

Vejo me rodeada de focos de luz limpa e sem precedentes que giram e descrevem formas incandescentes, bolhas de protecção para mim e para quem eu amo, existe um corte que me descansa momentaneamente e me faz ser ressonante e não me negar tanto.

Mas são as voltas em que se procura lugar para não ficar fechado num sítio que não é nosso que traz as gargalhadas e traça novo destino… água, muita água, sabores e cheiros, vinho de cor esmeralda que nos liberta e desperta para o melhor que a vida tem e perfura as capas e lança a boa disposição, as gargalhadas, a conversa séria que inala inteligência e se prende ao desafio.

Passo após passo, o frio faz a demanda, as letras acompanham nos lado a lado no chão negro que recebe o branco forte das palavras sem lhe dedicar muita atenção no primeiro trilho.

Mas há mais branco, o branco das mesas, das cadeiras, das toalhas, das paredes fatiadas e vergadas ao reflexo do vidro que nos separa das dragas, dos pequenos barcos alegrados por minúsculas luzes e pelas chávenas abertas para o líquido do bule estilizado que as faz úteis.

E as palavras surgem sem esforço, a conversa do pai, da mãe, do irmão, da infância é inevitável faz parte de todos.

E no último minuto do meu dia que nunca antes tinha sido passado distante desta casa, uma voz a solo canta para mim o que nunca gostei de ouvir de tantos ao mesmo tempo e assim é vinculado o momento com o sobro de coração sobre a vela que ilumina cada lugar de branco.

Este é realmente um ano de mudanças… Parabéns a mim, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de Vida!

Um momento para sempre…

Despi me de mim mesma, como se a pele precisasse sair também, fui queimada, pisada, lambida, rasgada, esquecida para o fundo da memória eterna onde fui o último Ser a quem fizeste feliz.

Testar, apenas seria necessário testar as más pessoas e assim separar as melhores das menos boas mas também para esse passo teria sido preciso um pouco de maturidade, coragem e amor…

Amor que te reina e viverá para sempre em ti, as lágrimas não te largam e a vontade de voltar a trás não te deixará de assombrar mas era a mim que tinhas de defender, era a mim que tinhas que perguntar, era a mim que tinhas que respeitar, era a mim que as tuas palavras tinham de chegar…

E em momento algum tinha que ser perdida e em todos os momentos, tu tinhas a obrigação de me procurar e não achar que também isso, teria que fazer por ti.

Não, agora e para sempre, sejam em que moldes, forem a tua vida, acredita, serás sempre tu que me irás encontrar em todos os lugares, sítios e recantos de ti e da tua infinita memória de mim, em ti, em nós.

E imperfeita que sou, não deixarei, em instante algum que caias no falso alarme de não me olhares profundamente e me veres perfeita como sempre fui e serei para ti.

E assim carrego comigo a certeza inabalável do mais íntimo de ti, e face aos meus medos e aos Deuses que os governam dentro da minha essência, acredito numa só força capaz de mover um coração paralisado e fechado para si mesmo.

A cada dia que me vi em limite de vida, baleada por todo o lado, cansada, longe, fustigada, sangrando cada vez mais e mais, vergada mas não partida pela maldade dos outros e contra a qual tive que lutar permanentemente sozinha, o que me fez maior mal foi teres duvidado e esquecido de quem sou, o que fiz numa constância mais que presente e na altura que deverias ter estado a meu lado, nós fomos perdidos dentro de ti por motivos vãos e que te cortam por dentro a todos os segundos.

Mas erguida, vejo agora de cima, do topo de ti e percebo também a dimensão das tuas feridas, dos rasgos que te foram feitos, pelas palavras e pelos actos que te corroem, e que te leva a não olhar no espelho que já não guarda uma boa e bela imagem.

Apagado, rotineiro, acomodado, esquecido… É o que és sem nós!

Mas a energia em que te devolvo todos os dias, é a maior força que nos gere e compensa, fazendo o equilíbrio constante entre o certo e errado, e é dentro dela que me aconchego todos os tempos que tenho para ti, e será ela que te irá sarar e tornar tudo melhor.

Acredito que tudo é possível dentro de um desejo de Bem intocável e único.

O Amor é a Maior Força de Todas.

Conheci em tempos uma pessoa que se deixou levar pela vontade de atingir os seus limites em prol do amor, conhecia de uma forma esperada e compreendida e percebi que não só eu a conseguia compreender como apenas outro amigo.

Juntos e pelo que a Vida nos reservou percebemos a dor daquela pessoa pois nunca fizemos julgamentos sobre os seus actos face à prova implacável que tinha sido exposta.

Tudo muito confuso, injusto, mau, covarde prendia aquela pessoa a um dilema sem fim, entre projecções de palavras falsas e vontades desejadas mas nela apenas ficou o melhor.

No fim de todo o mal, do todo o cansaço, de toda a privação, de toda a mentira e covardia, colocando tudo em causa, até mesmo a sua existência face aos fracos, ela conseguiu ficar apenas com a parte que valia a pena, o amor que sente!

Não se acovardou, disse tudo o que sentia e lutou até ao fim de cabeça erguida, esquecida do que representa, apavorada por ter que começar tudo de novo, enfrentou a desilusão como talvez nunca o tivesse feito antes e acredita até hoje no melhor que alguém tem para dar.

Podemos falar, errar, pensar que é assim ou assado mas se o amor que é a maior e melhor força de todas for verdadeiro, só ele fica, só ele emerge da mágoa, da dor, da desilusão, das palavras más e pesadas, da falta do sorriso de sempre… só ele ficará vivo e batendo como um coração descompassado e feliz, só ele sobrevive a tudo, só o amor ficará…

E é esse o sentimento que todos devemos guardar no fim de tudo, por é ele que nos move… o amor por ti, por mim, pela família, pelos verdadeiros amigos, pelos nossos afazeres, pelos nossos objectivos, pela nossa luta… O Amor é o maior sobrevivente nesta vida.

Mas para um grande amor não há limites, apenas desejo de ser e fazer melhor mesmo errando, para o amor não existem barreiras, apenas formas de ficar ainda mais forte e estruturado, para o amor que não abandona a paixão mas é senhor de si, consciente da sua entrega e da sua vontade constante de se fazer amar, apenas existe quem amar.

Não há amigos, família, outras mulheres ou homens que o retirem do seu caminho, influências esmagadoras das quais consciente sabe não valerem nada, porque no fim só ele ficará à tona, respirando e elogiando o seu maior e absoluto conforto de Ser, de ser apenas o Amor!

Nunca irá Ser…

A ansiedade das tuas palavras lava me o coração como areia grossa sobre um ferro cheio de ferrugem, desencasca me das crostas das feridas de morte que há pouco tempo ainda sangravam, bênção, comprometido por um amor maior que vive entre as nuvens e ar pesado que todos os dias, à mesma hora, baixa sobre ti como uma luz maior do Ser genuíno que És.


Mas é fulminante no meu pensamento, magneticamente de uma constante deslumbrante onde a beleza não existe apenas o desafio das palavras, a rapidez dos pensamentos, é desmembrante de novas palavras, de novos desejos, de ajustes directos, de verdades fortes, de vontades escondidas por entre os dedos e os cabelos molhados pelas ondas do Mar!


Só uma bússola suspensa e vazia determina o caminho traçado nas águas azuis e verdes, águas atentas aos movimentos suaves, subtis, perdidos por entre as pessoas insignificantes, marcas secas e brilhantes de seres magnificamente lentos, deslumbrantemente em paz, carregando no dorso o peso esquecido de uma vida curta, regada, orvalhada de outros destinos cruéis.


Dentro de um escabroso esboço de verdades que estampa a loucura do que todos somos comprimidos numa caixa de bainhas aguçadas, peculiar cratera, de laivos ovais, oleados pelas horas de delírio lunar de uma artéria a pulsar num pescoço de chamada permanente de ti, hipnotizada pelas desigualdades eclípticas de asas de ouro dos mitos da língua.


Nem o cume das tuas entranhas, o adorno dos teus ombros que me galanteiam, nem o útero que te revestiu da película da vida, nem a transparência que se segregou numa fé perdida pelo ofuscar do que sou, nem isso, faz tirar da tua mente a minha epiderme quente por entre as lajes que nos separam.


A uma polegada dos meus olhos, no equador do que represento em vida e em morte, de pauta em pauta, de nota em nota, danço sobre a chuva fina, tenra, gradual, metódica, numa rotação que os teus olhos adoram, que os teus pulsos ardem por ter, na extensão de pele, no ardor do momento que nunca existirá.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Amiga Plena de Força e a Dor de Morder…

Estarei eu tomada pelo egoísmo da mordedura da dor?

Estarei apenas e só com um medo terrível da tal mordedura?

Estarei agora e só depois de todo o mal ter passado por mim, segura do que realmente sinto?

E o que é que sinto, será realmente o que acho que sinto?

Desprendida do que possa ou não vir, apenas não querendo passar por tudo de novo, apenas no caminho da harmonia e bem-estar pleno porque sinto o corpo dorido dos trambolhões que dei durante um ano, um ano exactamente!

Estou impressionada comigo mesma… Começo a admirar me mais do que qualquer pessoa.

Tirando a minha grande amiga, que no seu peito, sem volume e cheio de dor, renasce todos os dias dentro da marca de vida, da própria força, força única e livre de quem acredita que pode mais e consegue sempre ir mais à frente, sim, a minha dor não é nada ao lado da tua, que dentro desse mal que te tomou acabas por brilhar como uma ESTRELA que nos guia e me esbofeteia nos momentos mais profundos em que penso em ti, faço em todos eles uma vénia perfeita e gigantesca ao teu Ser Magnifico que se deslumbra com cada um de nós porque tu sabes o verdadeiro valor de cada fio de vida.

A Ti, Ser Maior e Imperfeito que te revelas a Morder a dor que te morde todos os dias!

Tudo, Hoje e Sempre!

Hoje serei a tua luz, a luz que te ilumina nessa escuridão em que te encontras, hoje serei o teu sol, o sol que te aquece o coração e te faz retomar ao aconchego, hoje serei a tua lua, a lua que brilhará dentro do teu desejoso abraço, hoje serei a tua terra, a terra onde assentarás os pés para voltares a caminhar, hoje serei o ar, o ar que te voltará a fazer respirar sem dor, hoje serei o mar, o mar reflectindo o luar prateado do lençol de areia que nos embalou…

Hoje sou o teu Eu mais profundo, o teu medo do fim, o afastar da destruição que se prende com a razão, hoje sou o teu mais profundo pensamento de cumplicidade, hoje sou a tua dor e o teu alivio, hoje abraço te como nunca abracei, hoje sinto te em mim como gotas de suor perfumado e seco na pele, hoje acredito em ti, acredito em nós.

Hoje tatuo na nossa essência o futuro das palavras sentidas à flor do romper de um dia melhor, hoje e sempre serei o que sempre foste para mim, hoje encontro te despedaçado pela magoa que tu próprio escavaste em ti, hoje serei o cimento que preenche e fortalece essas crateras na alma, hoje sinto te em mim como nunca deixei de sentir, hoje sou a sombra, o cheiro, o doce do teu olhar, hoje estou em ti mais presente, sossegada pela metade do amor, hoje sou menos no sentimento do que tu… mas não deixarei de ser como sempre foste para mim.

Hoje percebo realmente o que sou para ti… que nada me arranca de ti… Hoje e Sempre serei, Tudo!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Voltarás… Porque nunca Foste!

Para comemorar a pequena mudança no que se refere a como aceder ao meu Blog, pretendo escrever um texto simples / complicado / leve / pesado / educado / grotesco / limpo / obsceno / irónico / sério / tranquilo / inquietante / honesto / frágil / forte / esquecido / lembrado…


A audácia que me perturba, o respeito que me afoga, a verdade que me faz, o medo que não existe, permanece inquieto como um vento entre as ervas secas por um sol forte, que tudo o que faz criar são gotas de suor que colam os corpos nos corpos, que vertem por entre as estrias das dobras suaves do meu olhar encantado, debaixo da areia molhada que se enrola no meu corpo ardente da água fresca da praia seca.

Nas ondas do meu mar, daquele que trago agarrado à cabeça, caído sobre os ombros direitos, sobre as costas simples, sobre os olhares que não conheço nem vejo, abro a beleza a todos, o reflexo da luz faz se sobre os olhos daqueles que atrás se encontram, e caminho passos que já foram meus, e pisam asfaltos já calcados pelas massas negras e macias, pelas vontades de chegar onde já chegaram.

Racho os corpos em mil pedaços doces e semeio em terra fértil, nos dentes fortes e certos de alguém que me sorri verdadeiramente, será a semente ideal, será o retorno perfeito, o inchar das frentes afagadas pelas mãos e ouvidos que também semeou, que também cuidou, a atenção preciosa sobre a bola adjacente e quente, sobre o Ser que se mexe entre o desejo de nadar fora das águas que o alimentam.

As portas ficam entreabertas para te receber, para te ouvir, para te deixar chegar mais próximo, para venceres o medo, para esqueceres que existimos no mal e lembrares que sempre existimos no Bem, e dentro do de cada um de nós refresca se a alma dos botões em fila, dos vãos vazios e dos vasos furados pelo veneno constante que queimou mas não matou, que não partiu, que não separou.

E o risco grotesco que fala junto com os meus olhos límpidos, o receio educado que trava as palavras obscenas, o vinho leve e frágil que deve ser bebido em tom irónico, em arrepio forte de sensações esquecidas, de ritmos de explosão sequenciais, perdidos nos ecos do meu corpo, na firmeza da minha pele, no meu rosto honesto, nas minhas mãos apertadas nas tuas, no branco volumoso fechado no peito.

E revirando manga do meu trilho, a caixa preta e transparente que me protege, vejo ainda o teu brilho por entre as árvores, os teus pés a seguir tudo o que sou, a todo o instante em que o teu coração vive, a cada segundo que bombeia para dentro a saudade que mina os teus ossos, que invade as tuas veias, que percorre os teus poros e conquista tudo o que mora no teu Coração!

Vamos fazer o que ainda não foi feito…

Existem momentos na nossa vida tão fáceis de analisar, situações pouco claras que só com o facto de serem pouco claras nos dão a resposta correcta, correctíssima!

Não precisamos de procurar respostas transcendentes a níveis absurdos do desconhecido, fora do entendimento científico ou matemático, precisamos apenas de nos lembrarmos de tudo o que foi, o que é, e o que nunca será!

Mas por mais que caminhes, por mais voltas que dês, o teu pensamento isola as outras vontades e aloja se no meu coração permanentemente, cansado mas desejoso, vinga dentro de ti mesmo, algo que nunca poderás justificar…

A lama que trazes, a chuva lava, e depois lavas-me a mim, com todo o carinho, fechas-me os cortes e lambes-me as feridas fundas de traço elegante e viril e deitas-me sobre ti como se fossemos um só!

E somos um só, a plenitude só atinges comigo, o desejo só é válido comigo, e o que atingimos juntos não consegues fazê-lo com mais ninguém.

E num beijo longo e festivo, de abraço de madeira macia e quente, despertas para um todo que não é meu e nunca foi mas é teu, só teu, e só tu continuas a construir dentro de nós as certezas das escolhas da fraqueza que te penalizou.

E assim, revejo me feliz ao lado de quem não vejo mas que é meu, assim deixo que me façam tudo para me tornarem feliz, assim vivo feliz e segura de cada passo que não me leva a ti, mas sinto todos aqueles, que tu toda a vida darás no meu alcance.

Quem Ama em Plenitude e Verdade

O Amor é cego? E anda de mão dada com a Loucura? Será?

Acredito que não é assim propriamente, acredito que é uma força que não nos deixa parar, que não nos deixa ficar inertes, que não nos deixa ficar presos a situações ou a pessoas que são importantes mas não tanto como aquela pessoa que é tudo.

Indiferente a crenças, religiões, dogmas, limitações físicas, indiferente a tudo o que é insignificante porque apenas é válido o facto de estar com a pessoa que se ama em pleno, em tranquilidade, em plenitude, em absoluto, em verdade, em sentimento gigante de si.

A pessoa que nos coloca numa situação de ansiedade e nervosismo, só de pensarmos que vamos estar por perto, que vamos passar ao lado, que nos vamos olhar, tocar, mesmo que seja ao de leve, mesmo que seja por segundos.

Onde vale tudo, fazer quilómetros sem fim, doente, voar durante horas afim, deixar flores à porta de entrada, pintar o nome nas paredes de passagem, escrever no alcatrão o nome de quem se ama durante quilómetros feitos entre curva e contra-curva entre a sombra serena das árvores altas e elegantes.

Sentir a cor da alma na pele mesmo quando não se está perto, sentir o cheiro doce do corpo quando me aconchego nas lembranças frescas e vivas do dia de ontem, recordar todos os dias os mais pormenores do Ser que amamos profundamente, sentir que a sintonia é exactamente a mesma.

Sentir que a tranquilidade é o próximo passo depois do encantamento, saber que a plenitude é atingível e saber que temos nas mãos o que todos procuramos durante a Vida inteira, conscientes da bênção, da recompensa que a tenacidade que não chegou à ruptura e a dignidade nos trouxe.

E leve, me encontro, todos os dias contigo a todo o momento que percebo que existo no teu peito de abrigo e me misturo na suavidade do vermelho que nos abraça e nos carrega pela noite calma reflectida dos teus olhos, iluminada pelo verde dos meus!

Reconhecer…

Quantos de nós, já não passamos pela certeza de que estamos rodeados por pessoas menos positivas ou menos boas?

Pessoas que tiveram a nossa ajuda, de várias formas, monetária, física, pessoas em que ajudamos a construir algo para o seu proveito, para o seu prazer, ajudamos a ultrapassar problemas, diferenças e quando precisamos delas, simplesmente estão noutro lugar e nem olham para nós com metade da atenção que lhes foi DADA!

Pessoas que só se preocupam com o seu umbigo e acham que o tempo não as vai marcar com a certeza de que erraram para com alguém que as ajudou.

Caricato é o facto da Vida mais cedo ou mais tarde vai cruzar os batimentos cardíacos e a culpa vai surgir do lado de quem a têm.

A falta de credibilidade, a falta de viabilidade, a falta de valor que essas pessoas carregam, passa a ser elemento comum de definição para muitas outras pessoas e assim, o brilho de alguém que tinha tudo para ser mais, desaparece.

E sem o brilho que as distinguia, vêem-se envolvidas com GENTE que não é nada, que se manifesta de forma deplorável e que as pessoas com brilho e unicidade, querem distância!

E acabam sozinhas, perdidas, vazias, em vácuo perpétuo que as asfixia e tortura todos os dias, porque sabem ter tudo para sair menos a força e a dignidade para verem que estão no caminho errado.

E tudo o que poderia ser o caminho certo, afasta-se a passo largo e robusto, afinal a ajuda já foi dada uma vez agora cabe ao outro lado fazer justiça caso contrário a ajuda acaba por desaparecer por todo o lado, que este se virar.

Reconhecer que se errou é um valor único e esplêndido, de muito poucos!