sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Jaula

Se a magia pousasse na ponta dos meus dedos, poderia dizer que fazia desaparecer tudo o que me deixa triste, sem luz, apagaria tudo o que grita ao meu redor, apagaria este lugar do mapa da minha existência, e acabava com a possibilidade de alguém se lembrar dele alguma vez que fosse.
Rasgava os loucos em milhares de pedaços de papel esgueirado em sangue, vencia com as lágrimas a saudade que tenho do sossego e caminhava com orgulho de ter terminado com a estúpida existência da estupidez que embora não seja contagioso, é esgotante, e da qual, tanto me tento esquivar.

Tocava levemente em mim, acordava me para um Mundo que me espera, ansioso de que a minha coragem cresça, para que as minhas amarras de vento e as minhas raízes de água se movam em direcção aos céus, e sem nunca olhar para trás, jurar que não voltarei mais aqui.

Nesse instante serei magia por inteiro, por completo, sentirei a Alma a transportar o Corpo para um Paraíso de Perfeição, de Silêncio, de inicio de vida, da vida que me quer, me chama todos os dias, a todos os momentos da minha existência perfurada de certezas absolutas, calibrada de realização e sucesso debruçado sobre os meus muros de amor.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Espaço = Sem Limite

Abri as asas mas antes, deslumbrei me em nuances abertas dos desejos e dos sonhos que vou ver realizados, ao pentear as minhas penas, penas libertas e repletas de espaço onde a felicidade de desdobra e vence me o coração em saltos gigantes, onde me deita numa paz esquecida mas quente, onde as lágrimas já não chegam mais.
Olhei o céu, o mesmo que te trouxe até mim, o mesmo que me leva para onde eu quero e preciso, abraçar te, ver te a meus pés, preciso de passar para o outro lado, mesmo que seja dentro de um amarrar de cordas ásperas, soltas e presas por um segundo de uma lente aberta mas distante.

De penas brilhantes, de chapéu aveludado, as luvas não fazem sentido porque as minhas asas já estão prontas, os ventos receosos por me receber, o sol desperto e atento à velocidade da minha determinação, resta me caminhar cada vez mais depressa neste campo de espaço ondulado pelas memórias da vida que me espera.

Rasgo a terra que me segura os pés para que num segundo, num instante, as minhas vozes se ouçam bem lá no alto, para que o meu instinto cresça em virtude, em ardor, em desejo impaciente pelo espaço, que dentro da liberdade se instalou, onde mora, de onde já não deixará de habitar fazendo ganhar a todo o momento a Felicidade.

A sede não passará, o espaço será sempre maior, a liberdade cada vez mais presente, forte, corajosa e atrevida, a Felicidade, essa precisa apenas de Mim!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Deixa...

Deixa o vento soltar as pontas que me prendem a um desejo absoluto de voar para longe daqui, deixa me olhar para o caminho que está à minha espera e deixa me ficar cansada de tanto andar sabendo que vou chegar onde quero estar.

Solta me o cabelo para que me possas seguir até ao fim do mundo, até para lá do horizonte, onde apenas quando tentares juntar o meu rosto ao teu, percebas que só assim faz sentido.

Sim, estão mais belos que nunca, porque cuidas de mim, e quando os enxugas, com a profunda delicadeza dos teus dedos, já antes os bebeste, já antes os enfeitiçaste, e o brilho é com a prata em reflexos da água onde nos banhas.

Ouço aromas em montanha, vejo o ar em euforia, cheiro melodias apertadas ao espírito, aconchegadas à alma, traga no paladar o sabor dos sentimentos e tacteio a invisibilidade do amanhã por entre os teus olhos atentos à raiz da minha pele.

Uma quase paz que tenho nos teus braços, é quase um nascer de novo, renascer aberto às loucuras que somos em comum, aqui não espero mais nada, aqui sei que terei tudo o que sempre me tens dado, aqui contigo sou um oceano de plenitude e alegria!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

jÁ éS mEU!

Hoje sinto que entrei num caminho de conforto, num momento longo de poder e de ter, não consigo ainda descortinar o que se segue mas os paralelos, de forma ilusória encontram se sempre num infinito definido pela entrega da certeza, pela grandeza de espírito, pela loucura rendida ao desejo temperado com essência pura de sentir.

É uma atracção rendida ao dever de estar e retocar, de equilibrar e limpar, de dormir e descansar sobre a cristalinidade do sentir, do viver, do imaginar a química isenta de dor, a pele aberta pelo verde absoluto dos teus olhos, do cansaço de continuar e da vontade de ficar, rompe me a inquietude pelo néctar bebido…

Vivo sonhos, que mais poderei eu pedir, vivo verdades, vivo certezas, vivo o que sempre quis e quero, vivo o momento exacto onde estou e com quem estou, vivo integridade, vivo mares e marés, maresias apimentadas e areias aguçando o ter te nos braços, a preto e branco, encosto o corpo à velocidade de voltar para ti…

E sem perfeição, sem beleza, sem magreza, sem nada do que quase todos tomam como um remédio para alcançar uma beleza superficial, que o tempo não esconde, mesmo assim, vou ao teu lado, caminhos e mais caminhos, apenas de mão dada com a elegância e a essência dos princípios que me governam e me protegem da covardia, mesmo assim e sem duvidares da minha verdade por ti, desejas ser Meu, quando já o És!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Parar na Curva...

Não sei se baixei os braços, pois já não os sinto, sinto apenas a certeza de que não posso caminhar mais, em esforço, de mãos fechadas para mim, de peito aberto para todos, sinto que parei, parei uma máquina infernal, que essa já não faz parte da minha vida.

Foram curvas fechadas, de olhos fechados, de medos cerrados e arrecadados de almas esquisitas, de desejo de fugir de soltar um grito mas mesmo assim ainda te sinto aqui, com o pensamento em mim, como se eu ainda fosse daí, quando já me fui embora há tantos ventos e marés, há tantos raios de sol e luares plenos.

O meu cansaço é infinito, é demasiado para continuar a pensar que consigo apenas eu, mas não é justo trazer mais alguém para me ajudar a carregar algo tão pesado, será assim na solidão até que o chicote mais pesado do mundo, desça e mate o que me mata a mim, todos os dias, o que não me dá paz, não me dá sossego.   

Apenas quero chegar aos teus braços, e dormir em harmonia, em segurança, em perfeito aconchego, apenas quero descansar…  

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Viver... Aí!

O meu coração não regressou ainda ao meu peito, voa ainda por onde quer, recebe o bom das estrelas, os sonhos de quem dorme descansado nos ombros dos Deuses mais improváveis, sem sentirem a ânsia de ter ou querer.

Quando o meu coração regressar ao meu peito, vou lhe contar todas as minhas aventuras, todos os meus anseios, todos os meus sonhos e vontades, falarei de todos os caminhos verdes que tenho percorrido até agora, verdes escuros, verdes opacos.

Se o meu coração encontrar a rota certa até ao meu peito, ficarei certa, foram estes caminhos verdes de madeira aberta, de ramos fortes, de cor cerrada, de um beijo só, de um obrigado único, de um lugar à minha porta, só para ser olhado!  

Foi no campo que encontrei, no meio de um campo sem fim, sem muitas conversas, sem muitas palavras, sem muito sentir, e depois quantos caminhos fora destes caminhos percorreremos juntos, quantos povos nos irão encontrar, quantas vidas se ajudará…


É segredo, mas o meu coração pediu para te dizer que está a regressar ao teu peito, pois arrancaste o teu para me dares a mim, a mim, que não tinha coração há tanto tempo, a mim que te escolhi para me fazes sentir o coração outra vez.

O meu coração só podia viver aí!


terça-feira, 26 de abril de 2011

Se Assim Não Fosse, Tinha Que Ser Assim

Se não fosse hoje, se não tivesse sido hoje, se não fosse pelo que foi sempre, se assim não fosse, não festejava eu, este sabor doce, este mel ardente despojado de tudo e recheado de nada, e se assim não fosse a admiração não tinha vingado e o sonho não era mais do que uma realidade possuída por um amor denso, imenso, intenso…

Se assim não fosse este desejo que me rodeia todos os dias, que promove palavras e actos a todo o instante, se não fosse assim, eu não seria o que o raso de alguém carrega, e sem espaço para mais nada, hoje, hoje que é dia, hoje que sempre foi, o dia, hoje o dia de todos os anos e de sempre…

Este dia, que em brasa alguém cravou num músculo que apenas mexe por mim, e neste dia, num passar de noite para a luz, onde tudo se encontra e nada se esquece, enfim, estou ai no teu peito, sente me e fica comigo, como ontem e nos outros dias… És Meu!   

sábado, 26 de março de 2011

Meu Imenso e Perfeito!

Sou pelo que Sou, pelo que no Todo Sou Tudo, e pelo que em Ti Sou, sei que caminho a passos largos para tudo o que de melhor tens para mim, liberta de tanto e presa a ti, como uma adivinhação, como uma certeza imensa, como um desejo ardente, ainda não vivido mas presente.

E a cada hora, percebo que não Sou nada de lá e completamente de cá, sensibilidade de existência, de transcendência, de único e valente Amor, a Ti que me comportas e me alegras, me ajudas e promoves, a Ti, Meu Grande Amor, Ser Infinito de Força, Garra e Lealdade, que te colocas a meu lado para que de corpo dado, sejamos mais do que alguma vez pensei conseguir ser junto a alguém. Perfeito!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sem Nós [II]

A luz, vêm devagar mas chegará a tempo, chegará no primeiro dia do momento certo, da vontade de criar raízes e de voar ao mesmo tempo, de sentir o prazer de conhecer e viver em sítios desmanchados pela pureza, pela harmonia, pelo silêncio de pequenas máquinas orgânicas, andantes por entre os ramos da sombra, por entre as cores vivas descascadas e alinhadas.

Fumos de água ardente, cheiros frescos de vida, sabores queimados e esquecidos, enlaces em velocidade, refrescos de sol perfumados e entranhas temperadas de sonhos, caminhos brancos em socalcos, ponteados de verde fechado, Deuses de uma só coisa de cada vez, sorrido esculpido e revertido, néctares embalados no fim de uma visita fria, de um saber perfeito.

Conduzir e desenhar o essencial de uma passagem, a marca de uma viragem, um trabalho de uma vida para o fim da fome do conhecer mais devido à existência da Presença em todo o lado, no Mundo inteiro, voar daqui para longe e de longe para perto, movimento atento para não perder o que se está destinado, beber tudo com razão e muita mais porção de razão!

Será a Realidade a ser mais realista ainda, será o empurrar do aparecimento mágico e honesto junto com a força do acreditar que se merece Melhor… ;)

|Força|Prosperidade|Equilíbrio|Saúde|Paz|Riqueza|Bondade|Amor|Luz|Sentidos|

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Sem Nós… [I]

Limites, não existem, não secam nas veias como vontade de fazer sem mortificar um acção, consciência, perdida, enaltecida pelo maior desejo de rasgar, lamber, comer terra, provar a seiva das árvores tenras e andantes, do mistério que a noite representa e sacode como a água no pêlo, de um alguém livre.

Quero relva, quero pele, quero romper mentes sujas que se esquecem de viver, quero segredos dos mais profundos, sonhos a queimar, pensamentos a ferver, quero existir e desaparecer, quero ser, ser e sentir ainda mais, mais do que tenho direito, se é que existem direitos de não se viver.

Nem, frio, nem vento, nem pouca loucura da sede, da fome, do desespero de ter para onde ir e não querer ficar em colagem líquida, perfumada de amarelo, e púrpura recente, de incenso veloz e fumo fino, de alquimias caras, de sossego em quadrados de cores quentes.

Lama fria, seca, lambe me, aquece me com a saliva da dor, do anseio, da angústia doce e desejada, do descer simpático do prazer imenso, da carícia amarga de suor, do querer, querer, querer, e arrancar o grito meloso das horas perdidas do mundo, onde a existência se resume ao Espírito, à Essência!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Diamantada| a Estrada|

A um fim de um princípio maior, talvez gigante, por entre risos e devaneios impossíveis de esquecer, impossível de prever, impossíveis de não se repetirem, golpe consciente de liberdade ardente, pura, revestida pela verdade de uma certeza presente, de um querer alcançado. Merecido|! 

Sedas velhas, transparentes de tão novas aos olhos de todos, dos meus que quase vivem desde sempre com elas, rasgos abertos e fechados de linhas sobrepostas, de toques imagináveis de um prazer doce, de te olhar cruel e amargo, de ver como nunca esperei conseguir fazê-lo. Sentido|!

Quero vida, quero vidas, quero dançar, quero beber, quero pintar e traçar uma vida minha, só minha em que todos façamos parte, em que todos percebam que nunca me vão entender, nem bebem, nem dançar, nem pintar num traço refinado e delicado, não imaginam que seja assim, fragilmente. Diamantado|!

Rolam corpos, respiração de momentos fechados mas completos, de confissões deliciosas, de arrepiar pujante, de mãos erguidas, de costas voltadas, de gritos acesos, de afagamentos perpétuos, de apelos fortes, de sabores, de saliva dourada, de suor de prata, de vinho envelhecidos pelo Presente. Gourmet|!

No descanso de uma visita lenta, tranquila, onde a verdade do que foi um momento, não interessa, é a vida respeitando o caminho, o que teve que ser para andar em frente, o cheiro limpo do que não era para não ser, como se deve ter esta certeza sempre, absoluta, assim nada acaba. Glamour|! 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Leveza da Conquista

Um dia de sol entre fumos e sabores acentuados, licores de terra, frutos de vida e pecado, olhares trocados, nem perdidos, nem achados, tão pouco perdidos, rendidos ao que nos faz bem, e transcende de uma melodia forte e detalhada, de um gosto a perfume marinado pelo aroma de laranjas amargas e ansiosas de um doce garantido, pormenorizado pelos pontos abertos do respirar.

Cuidado, as curvas são direitas para alguns elementos que dependem de apenas um olhar atento, uma perseguição sem sentido, de um cinza tenso, observado pela vaidade do que nenhum precisa ou quer, por um fio, por palavras vazias, por intenções nunca consumadas, de trocadilhos vulgares e frases atrapalhadas, de medos despertos, de telhados emadeirados, de falta de ar.

Um balanço subgénero, vejo por um espelho pequeno a tranquilidade de um conduzir descontraído, alcance inteiro, de sons sem importância, linhas rígidas sem existências, sem percalços, sem ancoragens, sem previsões, e de repente, a proposta chega, o desejo é evidente, e o corpo perde a vontade de estar presente, para que bem ausente te possa consumir a um nível superior.

E é raiva, deliberação de uma tentativa de esconder, numa sensação constante, presente, em memórias, em gestos, em sons, em vida que nos enrola, que nos faz rir, e onde a consciência impera, onde a leveza reina, a onde o descanso chega em profundidade e tudo se consome, e tudo se venera em certezas aprisionadas a uma liberdade incondicional, absoluta de ulterioridade.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Clausura

Vagueio, vagueio mais do que onde me consigo imaginar, consigo estar nua, vestida, calçada, bem penteada, em saltos, em altos, em sobressalto, em esquecimento, em ligação directa.

Consigo andar pelos sonhos daqueles que nem sei perturbar, que nem sei que não é preciso muito para me lembrar, consigo estar nos pormenores de um dia, de uma noite, de um curvar.

Mas é em ti que mora a essência, essa louca que eu não consigo descolar, nada faço para a colar, apenas entro pé em frente do pé, como se fosse uma dança, como fosse vento.

Não preciso que me vejam, não quero ser vista por todos, apenas só por alguns, alguns sufocados, inteiros, aqueles que conseguem subir paredes em segredo.

Na troca aberta, desperta, sensata, honesta, rompe se um silêncio que existe apenas para o todo e jamais para um mundo de dois mundos isolados.

Agradeço a um Passado, esse que me libertou covardemente, a quem faço uma vénia para os imensos Portais do Futuro que rasgaram as muralhas em que estava enclausurada.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Letais e profundos…

Vamos ser lambidos por uma vaga de frio, por um crespar de empenho, por um silêncio aterrador, por um descontrole perfeito e amarrado às tranças de um mar em aberto, em revolta, em consciência de um paladar livre de sal.

São energias, são vontades, caminhos parecidos, paralelos em surpreendente conforto, em pleno carinho de um sol, de um vento, de um frio maior e emprestado ao ondular de palavras certas pouco tapadas a quem as sabe ouvir.

Cruzam se, vendem se, vestem se e fogem por entre brumas e montes, por entre sabores e olhares, por entre frestas de sol queimado ao lado do calor que se encontra perdido, desesperado, imaginado numa realidade presente.

São para lavar o coração, desligar o fio dos sentimentos e potenciar os sensores de uma vida a palpitar nas pontas dos lábios, nas pontas dos dedos, no polvilhar de céu e da terra de pequenos curtos circuitos imensos de tudo.

Selvagem, como um Deus, discreto como se não existisse, plenitude de emoções embrulhadas em algodão agri-doce, repleto de sentidos atentos, manifestados em pequenas doses letais de desejo profundo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Vulgares que falam vulgaridades…

Dentro de uma pedra e das unhas cravadas nela, vejo o Mundo que não me toca, um recanto que poucos conseguem contemplar, e fora das palavras vulgares dos que não seguram no corpo, tão pouco na alma a fresta de ver o que pode ser tão mais louco, tão mais especial.

Desvio me de gente, misturo me com pessoas, vejo uma justiça sem igual no acumular dos desalinhos, constantes, perfeitos para quem não o é, justo para quem tão pouco fez, tão pouco se deu de verdade, tão pouco se saboreou vestidos de um vento suave que esculpe até corpos de aço.

Adrenalina que não se partilha com um ser que se cruza por acaso, não é digno, não é forte, não existe, não acontece, é preciso conhecer, viver, perceber a densidade de um medidor de evolução cardíaca, de um registo inabalável de carácter, de secretismo pleno de pureza e certezas.

Assim o pensamento daqueles que supõem não valida nada, apenas a ignorância que já sabíamos existir em demasia e o medo de gritarem que afinal o resgate de um coração é feito com a entrega total, a admiração excêntrica do reconhecimento altivo de um sentir sem precedentes, sem vícios, sem limites.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Ouvi tudo o que enviaste…

Rasga, fere, dobra te, enrola te, despeja te, abandona te, cheira te, retraça te, e rompe te em milhões de escudos, em centenas de luzes infinitas, secas.

A alegria traz me leveza, já não me puxa para o fundo das mantas pesadas, o cansaço que presenteava todos os dias, a força da tentação de ficar por lá.

Já sei o que fazer, como andar e por onde andar, ando com o vento e caminho pela água, é mais doce, é mais macio, é mais incerto mas é mais criativo.

São as penas que dão o traço fino, que dão o poder de criar, doces amargos, que carrego no dorso, fuga para combater o que me apunhalou.

E quem me fez viver de novo, a quem devo tal sopro de vida, a quem conseguirei agradecer o que sempre fui, a ninguém e a todos.

São as trocas que me fazem assim, são os momentos em solidão, são o não querer ninguém apenas estar presente, só com o barulho infinito do silêncio.

E dentro das letras que baralho e sopro e palavras sem sentido, sem guarda ou cancela, sem querer nada, sem saber que histórias são estas, inventadas.

Entre tempos dos tempos que se vão cruzando para não se chegar a lado nenhum mas que quase todos pensam que algum lado é algum lugar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sem caminho, para além do caminho…

Um dia de sol entre fumos e sabores acentuados, licores de terra, frutos de vida e pecado, olhares trocados, nem perdidos, nem achados, tão pouco perdidos, rendidos ao que nos faz bem, e transcende de uma melodia forte e detalhada, de um gosto a perfume marinado pelo aroma de laranjas amargas e ansiosas de um doce garantido, pormenorizado pelos pontos abertos do respirar.

Cuidado, as curvas são direitas para alguns elementos que dependem de apenas um olhar atento, uma perseguição sem sentido, de um cinza tenso, observado pela vaidade do que nenhum precisa ou quer, por um fio, por palavras vazias, por intenções nunca consumadas, de trocadilhos vulgares e frases atrapalhadas, de medos despertos, de telhados emadeirados, de falta de ar.

Um balanço subgéneros, vejo por um espelho pequeno a tranquilidade de um conduzir descontraído, alcance inteiro, de sons sem importância, linhas rectas sem existências, sem percalços, sem ancoragens, sem previsões, e de repente, a proposta chega, o desejo é evidente, e o corpo perde a vontade de estar presente, para que bem ausente te possa consumir a um nível maior.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Em punhados…

Se te atirasse um punhado de lama, se te apanhasse logo a seguir, bastava tocar te para ficares limpo, bastava seguir te para te sentires seguro, bastava olhares para trás e perceberes que ainda aqui estou, segura de mim.

Se em algum momento me sentasse para atar o atacador dos passos que dou sempre certos, e se em algum instante me esquecesse que apenas estou em caminho aberto para uma vida plena, sem lamas, sem medo, sem lamas.

Não me roubes, não me mintas, não te enganes a ti mesmo, desesperas sem sentido, sem rumo, e rodas no meio de um ciclo que de nada é vicioso, que constantemente se apaga e se apara como inicio do retorno.   

No meio de melodias fortes, marcantes, recheadas de força e sem limites no horizonte de marcos naturais verticais, numa ondular perfeito, embalado pelo calor que me aconchega os pés, faz me estar cada dia mais perto do que é meu.

Sei que precisas apenas de um dedal de mim, sei que em reflexo do que fazes, está a consciência exaltada do que queres que veja, devo dizer te a tua verdade, ensinar te que apenas vejo o contrário daquilo que me queres mostrar.

Os destroços já os limpei todos, a lama já não sei o que é no entanto sinto te ainda em pensamento, em alteração física e mental, em cobro de sonhos e verdades, e numa realidade à parte, de onde não saís do mesmo sitio.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Meu Endereço, És Tu.

Não é só amor, não é só saudade, é algo quebrado que nos vence, que se deixou apanhar de forma pura, que ninguém mais compreende, que ninguém mais pode avaliar, que foi captado, emoldurado, fotografado.

Fotografa me, revê me e deseja me, não precisas de dizer nada, não precisas de cruzar o meu caminho como tantas vezes o fazes, não precisas de te mostrar porque a todo o momento te despes para mim.

O brilho dos teus olhos não consegue ser vencido pela tentativa de esconderes o que sentes, e por mais trilhos e por mais carreiros a que te proponhas, por mais odores com que te misturas, que te fazem fugir para longe, acabas aqui.

Longe, vou ficar cada vez mais longe, escolhi, outro sítio para me viver, outro sítio para me livrar, de um mal que nunca foi meu, escolhi um lado físico longe de ti, escolho sempre o caminho e as horas que não me faz cruzar contigo.

Basta agora, continuares à procura de mim, e o encontro contigo, basta te agora saberes por onde ando, porque te faz falta saber mais que o ar que já nem te faz viver bem, falto te eu, para respirares em pleno.

Por momentos, pensei que já tinha sido uma parte do teu esquecimento, mas estou afinal sempre presente, tudo te remete a mim, não fazia ideia que assim era, não sabia que apesar de tudo assim continuará a ser.

Dia próximo, esse, em que te encontras e te vergas ao sentimento gigante que carregas, que alimentas com os melhores néctares, com as excelentes memorias, com a certeza do que queres, do quanto me bebes!

A saudade rói e não perdoa, a infelicidade fere até criar infecção necessária de valorização que se encharca de antídoto, sofrida a procura, precisa, preciosa, a mim e só a mim valoriza ao limite do impossível de alcançar por alguém.

Moro em ti, morarei sempre? Queres me dizer todos os dias, sempre, o porquê?

Não é preciso, sei exactamente, o que sou no exacto segundo de cada dia dos teus dias, no teu olhar, na tua saudade, na tua pele, no único sentido que tens.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Complicados

Resultado desesperado das acções complicadas das mentes desalinhadas, do medo premente, da ansiedade que traz carga que traz o desfalecer dos limites imperativos, da vontade de alguém singular, do entreter de pensamentos vazios, de desejos absolutos.

Será tudo uma verdade, será tudo uma falsa mentira?!

Das mãos de toques, pequenas na ajuda centrada no desejo singelo de um medo existente, camuflado, ansioso de águas mais profundas, de compatibilidades impossíveis, de cortes não existentes, de presenças aparentemente calmas, na cumplicidade de olhares e sentenças.

Será que não se morre ou apenas se perde a morte para ganhar a vida?!

Não, é o que sentimos mas o que nos fazem sentir, não é o que trazemos mas o que nos trazem até nós, o que é mais forte do que o peito comporta, e entre portas, janelas, vidros, gritos e desenhos no orvalho, na ponta de um dedo de uma criança que só desenha a alma de quem vê para além de um limite traçado por aqueles que só trilham o que já foi trilhado

Será que não existimos ou apenas somos invisíveis para muitos?

E no relance habitual do brilho atento conferido, desejoso, preso à essência de um só sentido de ser e de existir, travo os dedos, vejo o enlace, o brilho nos olhos observantes, absorventes, intensos de algo nunca mais vivido no desespero, agora será vivido na calmaria das ondas de corpos plenos, fossilizados pela verdade assente no fundo de um copo de precioso líquido.